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AUGUSTO CURY E A PRESIDÊNCIA: FAMA, BOAS INTENÇÕES E IDEIAS SÃO SUFICIENTES PARA GOVERNAR O BRASIL?

30/08/2026

O eleitor precisa aprender a distinguir uma personalidade admirada de uma liderança preparada para exercer a Presidência da República

O Brasil tem uma longa tradição de procurar nomes de fora da política quando cresce a insatisfação com aqueles que já ocupam o poder. Empresários, apresentadores, intelectuais, escritores e outras personalidades públicas passam a ser vistos como possíveis alternativas justamente porque não carregam, inicialmente, o mesmo desgaste da chamada política tradicional.

Em 2026, um dos nomes que exige essa reflexão é o do escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo Avante.

Antes de qualquer crítica, é necessário reconhecer seus méritos pessoais e profissionais. Cury construiu uma carreira de enorme projeção como escritor, conferencista e autor de obras voltadas ao comportamento humano e à gestão das emoções.

Mas é justamente aqui que o eleitor precisa fazer uma separação fundamental:

Ser bem-sucedido em determinada área não significa, automaticamente, estar preparado para governar uma das maiores nações do mundo.

A Presidência da República não é prêmio por uma trajetória profissional admirável. É uma das funções políticas e administrativas mais complexas do país.


UMA ESTREIA POLÍTICA DIRETAMENTE NA DISPUTA PELO CARGO MAIS IMPORTANTE DO PAÍS

Este talvez seja um dos primeiros pontos que merecem atenção.

Augusto Cury chega à disputa presidencial sem uma trajetória anterior construída em cargos eletivos.

Isso não o desqualifica juridicamente, moralmente ou intelectualmente. Também não significa que somente políticos profissionais possam governar.

A democracia precisa permitir renovação.

Entretanto, o eleitor tem todo o direito de perguntar:

Qual é a experiência concreta desse candidato na administração pública e na construção política necessária para governar o Brasil?

Um presidente não governa sozinho.

Precisa relacionar-se com Câmara e Senado, governadores, prefeitos, Supremo Tribunal Federal, instituições de Estado e organismos internacionais.

Precisa administrar ministérios, executar um orçamento gigantesco, enfrentar crises econômicas, coordenar políticas públicas e construir maiorias parlamentares para aprovar parte significativa de sua agenda.

É necessário compreender orçamento público, pacto federativo, relações internacionais, segurança pública, infraestrutura, saúde, educação, política fiscal, sistema tributário e administração pública.

Um excelente médico não se torna automaticamente um excelente engenheiro.

Um grande empresário não se torna automaticamente um grande diplomata.

Da mesma forma, sucesso como escritor, psiquiatra ou conferencista não constitui, por si só, experiência política suficiente para governar o Brasil.


O PROBLEMA DE CONFUNDIR NOTORIEDADE COM LASTRO POLÍTICO

Este é um erro recorrente do eleitor.

Conhecemos alguém pelos livros, pela televisão, pelas redes sociais ou pelas palestras e, gradualmente, essa familiaridade produz uma sensação de confiança.

Mas notoriedade pública e capacidade política são coisas diferentes.

A pergunta não deveria ser apenas:

“Eu gosto dessa pessoa?”

A pergunta precisa ser:

“Essa pessoa demonstrou capacidade para exercer o cargo ao qual está concorrendo?”

Isso vale para Augusto Cury e para qualquer outro presidenciável.

O eleitor maduro não escolhe presidente como escolhe seu escritor, pastor, artista ou comunicador favorito.

Ele examina trajetória, equipe, propostas, experiência, alianças, capacidade administrativa e governabilidade.


CURY TEM PROPOSTAS — E ELAS PRECISAM SER ANALISADAS

Também seria injusto afirmar que Augusto Cury simplesmente apareceu na eleição sem apresentar ideias.

Seu programa de governo registrado para a eleição de 2026 possui cerca de 200 páginas, sendo o mais extenso entre os programas dos presidenciáveis, embora quantidade de páginas, evidentemente, não seja sinônimo automático de qualidade ou viabilidade.

Entre suas propostas e declarações durante a campanha aparecem mudanças institucionais, empreendedorismo, saúde emocional, educação, inteligência artificial, segurança e alterações no sistema político.

Portanto, uma crítica responsável não deve caricaturar sua candidatura.

O correto é fazer exatamente o contrário:

Examinar suas propostas com rigor.

Porque uma proposta pode soar muito bem em uma palestra e encontrar enormes dificuldades quando submetida à Constituição, ao Congresso Nacional, ao orçamento e à realidade administrativa brasileira.

Presidente não governa apenas com boas ideias.

Governa dentro de instituições.


UMA CAMPANHA PRESIDENCIAL NÃO É UMA PALESTRA MOTIVACIONAL

Essa distinção precisa ser feita.

O discurso inspirador possui sua importância.

Uma frase bem construída pode emocionar milhares de pessoas.

Mas política pública exige algo diferente.

Exige diagnóstico, números, orçamento, metas, equipe, capacidade de implementação, articulação parlamentar e conhecimento institucional.

E, principalmente, exige responder perguntas incômodas:

Como será feito?

Quanto custará?

De onde sairá o dinheiro?

Qual legislação precisará ser modificada?

Existe apoio parlamentar para isso?

Qual será o impacto econômico?

Quem executará o projeto?

Quando um presidenciável apresenta uma grande ideia, essas perguntas precisam acompanhá-la.


QUANDO A PROPOSTA ENCONTRA A REALIDADE

Esse escrutínio já aparece durante a campanha.

Cury tem apresentado propostas envolvendo empreendedorismo, inteligência artificial, digitalização do Estado, segurança pública e reformas institucionais.

Também defendeu a criação de estruturas ministeriais e iniciativas voltadas à tecnologia e ao empreendedorismo.

Algumas dessas propostas podem merecer debate.

Outras precisam demonstrar viabilidade financeira, jurídica e administrativa.

É exatamente para isso que existe campanha eleitoral:

Não para venerarmos candidatos, mas para interrogarmos suas propostas.


E A VIABILIDADE ELEITORAL?

Aqui entramos em outro ponto delicado.

Pesquisas divulgadas no final de agosto colocaram Augusto Cury em torno de 2% das intenções de voto em cenários estimulados.

É necessário fazer uma ressalva importante:

Pesquisa não é eleição.

Campanhas podem crescer ou diminuir. O eleitor também possui pleno direito democrático de votar em um candidato minoritário simplesmente porque acredita nele.

Mas existe uma discussão legítima chamada voto estratégico.

Em uma eleição presidencial de dois turnos, o cidadão pode votar no primeiro turno exclusivamente naquele que considera o melhor candidato ou pode considerar também quais candidaturas possuem possibilidade concreta de avançar.

Nenhuma dessas decisões deve ser imposta ao eleitor.

Mas ambas precisam ser conscientes.

Quando uma candidatura apresenta índices muito baixos, o eleitor que pensa estrategicamente tem o direito de perguntar:

Qual será o efeito concreto desse voto dentro da disputa presidencial?

Não se trata de retirar o direito de ninguém concorrer.

Trata-se de compreender que política também envolve estratégia.


UM SINAL DE ALERTA: É PRECISO OLHAR PARA O PARTIDO

Aqui chegamos a um ponto que considero especialmente importante.

Augusto Cury é candidato pelo Avante.

E o eleitor precisa conhecer não somente o candidato, mas também a trajetória política recente da legenda que sustenta sua candidatura.

Nas eleições presidenciais de 2022, o Avante havia apresentado inicialmente o deputado federal André Janones como pré-candidato à Presidência.

Em agosto daquele ano, Janones retirou sua candidatura e anunciou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais do que uma manifestação isolada de Janones, naquele momento o Avante aderiu à aliança que apoiava Lula, ampliando o arco partidário da candidatura petista.

Depois da vitória eleitoral de Lula, integrantes do Avante também participaram da equipe de transição do novo governo.

Portanto, estamos diante de um fato histórico que o eleitor de 2026 tem direito de conhecer.

Para mim, isso representa um sinal de alerta.

Mas precisamos ser intelectualmente honestos.

Esse histórico não prova que Augusto Cury pense exatamente como Lula, não demonstra automaticamente que ele possua a mesma orientação ideológica do PT e tampouco significa que repetirá obrigatoriamente a decisão tomada pelo Avante quatro anos atrás.

Seria irresponsável afirmar isso sem provas.

Por outro lado, também considero ingenuidade política analisar apenas o rosto de um candidato e ignorar completamente a legenda que lhe fornece sustentação eleitoral.


O PARTIDO IMPORTA — E MUITO

Existe uma ideia bastante difundida no Brasil de que devemos olhar apenas para a pessoa:

“Eu voto no candidato, não no partido.”

Mas a política real não funciona dessa maneira.

Partidos possuem direção nacional, bancadas, interesses políticos, participam de negociações, constroem alianças, recebem recursos partidários, formam blocos parlamentares e influenciam diretamente a governabilidade.

Um presidente eleito precisa formar uma base política para governar.

Por isso, conhecer o partido de um presidenciável não é detalhe.

É parte da análise do candidato.

Quem olha para Augusto Cury como uma alternativa completamente distante das forças políticas tradicionais precisa conhecer também o histórico recente do Avante.


A PERGUNTA QUE PRECISA SER FEITA AO AVANTE

Diante desse histórico, considero que existe uma pergunta absolutamente legítima para 2026:

Caso Augusto Cury não avance ao segundo turno, quem o Avante apoiará?

Essa pergunta precisa ser respondida.

Qual será a posição do partido?

Existe algum compromisso antecipado?

Quais alianças são consideradas possíveis?

Quais seriam consideradas incompatíveis?

E qual será a posição pessoal de Augusto Cury?

Isso não é teoria conspiratória.

Não é acusação.

É análise política.

Em 2022, o partido possuía um nome apresentado para a disputa presidencial e terminou aquela eleição apoiando Lula.

Em 2026, volta a apresentar um presidenciável.

Logo, perguntar qual será o comportamento da legenda em um eventual segundo turno é absolutamente razoável.

O eleitor tem direito de saber.


O ELEITOR PRECISA OLHAR QUEM ESTÁ AO LADO DO CANDIDATO

Outra lição importante é que ninguém chega ao Palácio do Planalto sozinho.

Por isso, antes de votar, procure saber:

Quem é o vice?

Quem são os principais dirigentes do partido?

Quem são os economistas que aconselham o candidato?

Quem formulará sua política externa?

Quem são seus aliados no Congresso?

Quais partidos poderiam formar sua base?

Quais compromissos políticos estão sendo construídos?

No caso de Augusto Cury, seu candidato a vice é Júlio Delgado, político experiente que exerceu seis mandatos como deputado federal.

Isso demonstra, inclusive, que uma candidatura apresentada como renovação também precisa recorrer à experiência da política tradicional para construir uma chapa competitiva.

Não existe governo sem política.

A questão não é eliminar a política.

É fazer boa política.


O ELEITOR NÃO DEVE TRANSFORMAR SIMPATIA EM CHEQUE EM BRANCO

Talvez este seja o maior alerta desta reflexão.

Augusto Cury pode ser admirado.

Pode ter boas intenções.

Pode apresentar propostas interessantes.

Pode possuir uma trajetória profissional respeitável.

Nada disso deve impedir o escrutínio.

Aliás, quanto maior o cargo pretendido, maior precisa ser o escrutínio.

O eleitor precisa abandonar uma perigosa lógica:

“Ele parece uma pessoa boa, então será um bom presidente.”

Não necessariamente.

Caráter importa.

Valores importam.

Mas competência também.

Experiência também.

Equipe também.

Governabilidade também.

Conhecimento institucional também.

E alianças políticas também.


“MAS PRECISAMOS DE GENTE NOVA NA POLÍTICA”

Sem dúvida.

Renovação política é saudável.

Se somente quem já exerceu mandato pudesse concorrer, a democracia produziria uma casta permanente de políticos.

O problema, portanto, não é alguém vir “de fora”.

A questão é outra:

Qual preparação essa pessoa construiu antes de pedir ao eleitor a Presidência da República?

Existem inúmeras maneiras de adquirir experiência pública: administração municipal ou estadual, Legislativo, secretarias, ministérios, formulação de políticas públicas, atuação diplomática, gestão pública ou participação consistente na construção de projetos nacionais.

A renovação precisa vir acompanhada de preparação.

Novo não significa necessariamente preparado, assim como experiente não significa necessariamente competente.

O eleitor precisa avaliar ambos.


O PERIGO DO “SALVADOR DA PÁTRIA”

Esse talvez seja um dos vícios mais antigos da nossa cultura política.

Periodicamente aparece alguém apresentado como completamente diferente dos demais.

E começa a narrativa:

“Ele não é político.”

“Ele não precisa do sistema.”

“Ele é inteligente.”

“Ele é empresário.”

“Ele é intelectual.”

“Ele é um homem de bem.”

Essas características podem ser positivas.

Mas nenhuma delas substitui a pergunta central:

Ele está preparado para governar?

O Brasil não precisa de um messias político.

Precisa de instituições funcionando, bons administradores, Congresso responsável, Justiça equilibrada, cidadãos fiscalizando seus representantes e governantes competentes.


CRISTÃOS PRECISAM TER AINDA MAIS DISCERNIMENTO

Para o eleitor cristão, existe outra advertência necessária.

Não devemos transformar identificação religiosa em critério suficiente para escolher governantes.

O fato de determinado candidato falar sobre Deus, declarar uma experiência de fé, participar de uma igreja ou utilizar linguagem cristã não deve produzir imunidade à análise política.

A Bíblia ensina:

“Examinai tudo. Retende o bem.”
1 Tessalonicenses 5:21

Observe a ordem:

Primeiro examine. Depois retenha.

O cristão não deveria votar apenas porque alguém fala de Deus, frequenta uma igreja, declara conversão ou utiliza valores cristãos em seu discurso.

Isso vale para Cury.

Vale para candidatos de direita.

Vale para candidatos de esquerda.

Vale para qualquer candidato.

Cristo não possui número eleitoral.

Nossa fidelidade absoluta pertence a Ele, não a políticos.


“PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS”

Jesus ensinou:

“Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.”
Mateus 7:20

O contexto dessa passagem é espiritual, mas existe um princípio evidente de avaliação pelas evidências.

Na política também devemos perguntar pelos frutos:

Qual sua trajetória?

O que administrou?

Que resultados entregou?

Quem forma sua equipe?

Quais alianças está construindo?

Seu programa é executável?

Suas propostas respeitam a Constituição?

Quanto custarão?

Existe coerência entre discurso e prática?

Essas perguntas são muito mais importantes do que vídeos emocionantes ou frases de impacto.


NÃO EXISTE CANDIDATO PERFEITO

Outro erro é procurar perfeição.

Ela não existe.

Todo candidato possui limitações, contradições e pontos questionáveis.

Por isso, o eleitor responsável trabalha com comparação.

Não pergunte apenas:

“O que há de errado com Augusto Cury?”

Pergunte também:

“Como ele se compara aos demais candidatos?”

Experiência.

Programa econômico.

Segurança pública.

Educação.

Saúde.

Política externa.

Valores.

Governabilidade.

Equipe.

Histórico.

Integridade.

Capacidade administrativa.

Alianças.

Somente depois dessa comparação o eleitor poderá tomar uma decisão mais racional.


O VOTO NÃO DEVE SER UMA HOMENAGEM

Esta frase precisa ser compreendida:

Voto para presidente não é homenagem a uma pessoa que admiramos.

É delegação temporária de poder.

Você está entregando a alguém autoridade para comandar uma gigantesca máquina pública e tomar decisões que afetarão mais de 200 milhões de brasileiros.

Por isso, admiração pessoal não pode substituir avaliação política.

Você pode admirar profundamente um escritor e, ainda assim, concluir que existe alguém mais preparado para governar.

Isso não é ingratidão.

É responsabilidade democrática.


NEM TODO BOM NOME É NECESSARIAMENTE O MELHOR NOME PARA PRESIDENTE

Augusto Cury merece ser analisado pelo que efetivamente apresenta.

Nem demonizado.

Nem canonizado.

Sua candidatura apresenta uma questão extremamente importante ao eleitor brasileiro:

Até que ponto sucesso profissional, notoriedade pública e boas intenções são suficientes para justificar uma candidatura presidencial?

Minha resposta é simples:

Não são suficientes.

Precisamos olhar além do currículo profissional.

Precisamos examinar experiência pública, programa, equipe, capacidade política, governabilidade, alianças partidárias e viabilidade das propostas.

E isso precisa ser feito com todos os candidatos.


ANTES DE VOTAR, FAÇA DEZ PERGUNTAS

Antes de escolher qualquer presidenciável, pergunte:

1. Qual é a trajetória desse candidato?

2. O que ele já administrou ou realizou que demonstre capacidade para governar?

3. Seu programa possui propostas concretas ou apenas boas intenções?

4. Como pretende financiar aquilo que promete?

5. Quem são as pessoas que governariam com ele?

6. Possui capacidade política para construir maioria e implementar suas propostas?

7. Quais partidos e grupos políticos sustentam sua candidatura?

8. Qual é o histórico recente de seu partido?

9. Se não chegar ao segundo turno, quem ele e seu partido apoiarão?

10. Seus valores, trajetória e propostas são compatíveis com aquilo que considero importante para o Brasil?

Essas perguntas ajudam a substituir paixão por discernimento.


CONCLUSÃO: NÃO ENTREGUE SEU VOTO À EMPOLGAÇÃO

Augusto Cury construiu uma carreira reconhecida fora da política e agora pede ao brasileiro algo muito diferente da compra de um livro ou da participação em uma palestra.

Ele pede um voto para governar o Brasil.

Por isso deve ser submetido ao mesmo escrutínio rigoroso aplicado aos demais presidenciáveis.

Sua limitada experiência político-eleitoral é relevante.

Os aproximadamente 2% registrados em pesquisas recentes são relevantes, embora não determinem o resultado da eleição.

Seu programa de aproximadamente 200 páginas também é relevante.

Suas propostas precisam ser estudadas.

Seu discurso precisa ser confrontado com a realidade.

Sua capacidade de transformar ideias em governo precisa ser examinada.

E existe mais um elemento que não pode simplesmente ser escondido do eleitor:

O partido pelo qual Augusto Cury concorre, o Avante, apoiou Lula na eleição presidencial de 2022.

Isso não torna Cury automaticamente petista.

Não prova que exista um acordo para 2026.

E não autoriza ninguém a inventar intenções que não foram demonstradas.

Mas é, sim, um dado político que merece atenção.

Para o eleitor que não deseja votar em um projeto político alinhado ao PT, especialmente, esse histórico partidário deve servir como sinal de alerta e motivo para fazer perguntas antes de decidir o voto.

E talvez a principal delas seja:

Augusto Cury e o Avante estarão ao lado de quem se não chegarem ao segundo turno?

O eleitor deveria exigir essa resposta antes das urnas.

Também não podemos afirmar, sem provas, que determinado candidato entrou na disputa simplesmente para “atrapalhar” outro.

Mas podemos — e devemos — analisar o efeito político de candidaturas com baixa intenção de voto, sua viabilidade eleitoral, suas alianças e o destino de seus apoios em um eventual segundo turno.

O eleitor consciente não vota por impulso.

Não vota porque alguém escreveu bons livros.

Não vota apenas porque alguém fala aquilo que gostaria de ouvir.

Não vota simplesmente porque o candidato representa uma novidade.

Examina. Compara. Questiona. Pesquisa. Conhece o candidato. Conhece o partido. Conhece as alianças. E somente então decide.

Como ensina a Escritura:

“O simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.”
Provérbios 14:15

Em tempos de eleição, essa prudência também precisa chegar às urnas.

Não vote apenas no discurso. Observe a trajetória.

Não olhe apenas para o candidato. Observe também quem caminha com ele.

 

Pr. Wilde Ramalho Ferreira

Pastor | Comunicador | Articulista Cristão

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